Saiba o que Leonardo Hoff pensa sobre a liberação das drogas

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dez 5, 2010 1 Comment ››

Hoje vou reproduzir um artigo do meu amigo pessoal Percival Puggina, sobre a liberação das drogas, que retrata exatamente o que eu penso sobre o polêmico assunto.

Um grande abraço a todos e boa semana,

Leonardo Hoff

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“QUAL A SOLUÇÃO, ENTÃO?”
Percival Puggina
Os recentes episódios do Rio de Janeiro trouxeram à tona um debate recorrente – a liberação ou não do comércio de drogas ilícitas. Os argumentos pela liberação, ou pela descriminação, obedecem à lógica que descrevo a seguir. Se o consumo e o comércio forem liberados, a maconha, a cocaína, a heroína e os produtos afins serão disponibilizados aos seus infelizes consumidores, inviabilizando a atividade do traficante, cujos lucros fabulosos alimentam o crime organizado e a corrupção. Tal providência, dizem, determinaria um efeito em cascata benéfico para o conjunto da segurança pública. Alegam mais, os defensores dessa tese. Sustentam que a repressão agride o livre arbítrio, que os indivíduos deveriam ter a liberdade de consumir o que bem entendessem, pagando por isso, e que os valores correspondentes a tal consumo, a exemplo de quaisquer outros, deveriam ser tributados para gerar recursos ao setor público e não ao mundo do crime. Há quem se deixe convencer por esses argumentos.No entanto, quando se pensa em levar a teoria à prática, surgem questões que não podem deixar de ser consideradas. Quem v ai vender a droga? As farmácias? As mesmas que exigem receita para um antibiótico passarão a vender cocaína sem receita? Haverá receita? Haverá postos de saúde para esse fim? Os usuários terão atendimento médico público e serão cadastrados para recebimento de suas autorizações de compra? O Brasil passará a produzir drogas? Haverá uma cadeia produtiva da cocaína? Uma Câmara Setorial do Pó e da Pedra? Ou haverá importação? De quem? De algum cartel colombiano? O consumidor cadastrado e autorizado será obrigado a buscar atendimento especializado para vencer sua dependência? E os que não o desejarem, ou que ocultam essa dependência, vão buscar suprimento onde? Tais clientes não restabelecerão a demanda que vai gerar o tráfico? A liberação não vai aumentar o consumo? Onde o dependente de poucos recursos vai arrumar dinheiro para sustentar seu vício? No crime organizado ou no desorganizado?A Holanda, a Dinamarca e a cidade de Zurich, na Suíça, adotaram políticas liberais em relação ao consumo e à descriminação do tráfico. Decorridos vários anos dessas experiências, estão regredindo em suas posições porque a experiência mostrou que o consumo aumentou e que regiões inteiras de seus centros urbanos se converteram em áreas de convergência de fornecedores e consumidores, e polos de um indesejável turismo da droga e da prostituição.

Por outro lado, o uso da droga, todos sabem, não afeta apenas o usuário. O dependente químico danifica sua família inteira e afeta todo o seu círculo de relações. Ao seu redor muitos adoecem dos mais variados males físicos e psicológicos. A droga é socialmente destrutiva e o Estado não pode assumir atitude passiva em relação a algo com tais características sem grave renúncia a suas responsabilidades morais.

“Qual a solução, então?”, perguntou-me um amigo com quem falava sobre esse tema. E eu: quem pensa, meu caro, que todos os problemas sociais tem solução não conhece a humanidade. O máximo que se pode fazer em relação às drogas é ampliar o que já se faz. Ou seja, mais rigor legal e penal contra o tráfico, mais campanhas de dissuasão ao consumo, menos discurso em favor da maconha, menos propaganda de bebidas alcoólicas, e mais atenção aos dependentes e às suas famílias.

Fonte: ZH de 05/12/10, e www.puggina.org

Comments

  1. Yannich disse:

    Caro Leonardo, o tema proposto pelo seu amigo, para mim é incontroverso. Legalizar drogas é inverter o pápel do Estado diante do problema, mais ainda; é desobrigar a sociedade de elaborar e participar de atividades destinadas a minimizar o problema em uim primeiro instante, e no segundo, trabalhar para um efetivo combate a um “delito”.

    Entendo ser às drogas: sociais bem como às ilegais dentro de um contexto global – Combater umas sem criar mecanismos para diminuir e concientizar a população sobre os efeitos das outras! caracteriza omissão: do estado e seus agentes e da sociedade.

    Deveriamos ter uma legislação severa sobre: criminalização (fabricantes, distribuidores e usuários – caso das ilicitas); publicidade ostensiva sobre o uso das ditas drogas sociais: cigarro, alcool, etc… Nada de propaganda em meios de comunicação – “Empresas que recebem do poder público (representante e agente do povo) concessão para entrarem em atividades.

    Entendo que a publicidade deve ser apenas sobre os aspectos negativos das drogas, todas elas, com enfoque; no caso das sociais, propaganda no prõprio produto, como já ocorre com o cigarro.

    Gostei do seu posicionamento. Cabe ao agente público ser extensão da vontade do povo, ao tempo em que se busca minimizar os custos para à saúde pública com os doentes oriundos deste permissivo meio de vida. Por isto entendo que precisamos nos voltar para o problema, não fugir dele…

    tenha uma ótima semana.

    Yannich

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