Leonardo Hoff preside Audiência Pública sobre Aeroclube

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jul 15, 2011 2 Comments ›› Guilherme Darros

Um longo debate sobre a situação do Aeroclube de Novo Hamburgo foi promovido pelo Legislativo hamburguense na noite desta quinta-feira, dia 14 de julho. A iniciativ a foi dos vereadores Leonardo Hoff (PP), presidente da Casa, Sergio Hanich (PMDB) e Jesus Maciel (PTB). A discussão girou em torno da retomada da área onde está localizado o aeroclube para a construção de um Distrito Industrial – que, segundo Hoff, é vontade antiga tanto dos vereadores quanto da comunidade. Também acompanharam o evento os vereadores Gilberto Koch (PT), Gerson Peteffi (PSDB), Carmen Ries (PT), Luiz Carlos Schenlrte (PMDB), Raul Cassel (PMDB) e Volnei Campagnoni (PCdoB).

De acordo com o presidente da Câmara, diversas áreas foram estudadas no Município, e uma delas é a que contempla o aeroclube.”Não queremos cometer erro e nem injustiças. Nós, como representantes do povo, precisamos debater muito o assunto. Essa audiência vai proporcionar isso”, destacou. Hoff ressaltou que o local funciona como aeroporto regional, tem importância econômica e na formação de pilotos. “Queremos escutar o que a comunidade e a instituição têm a falar. Enviaremos toda a argumentação aqui apresentada para apreciação da Prefeitura Municipal.”

O presidente do Aeroclube de NH, Alceu Mário Feijó Filho, informou que a conversa vem desde 2000, quando Jair Foscarini ainda era prefeito. Disse que em nenhum momento a direção se opôs à ideia de deixar o local (o aeroclube fica situado em Canudos há 64 anos). Feijó relatou que já procurou Tarcísio Zimmermann, no início de sua gestão, para perguntar se ele teria o interesse em manter a negociação. “Naquele momento, o prefeito disse que não interessava mexer em algo que já estava institucionalizada há tanto tempo. Passados dois anos, porém, voltou a ideia de retomar o local do aeromóvel. Sempre defendemos que fosse realizada a transferência de forma justa e organizada. Dependemos de vários fatores para isso, que envolve infraestrutura – pista e hangares, por exemplo. Não podemos parar as atividades. Temos uma história a zelar”, explicou Feijó, ressaltando que atualmente só resta a pista de NH na região.

O ex-prefeito Jair Foscarini afirmou que entende a necessidade de uma área industrial para o Município. Por isso, iniciou as negociações durante seu governo. Reiterou a ideia de que a direção do aeroclube nunca foi contrária à retomada da área. A única exigência era que as novas instalações deveriam ser mantidas em Novo Hamburgo ou próximo daqui. “Não podemos simplesmente ignorar a existência do Aeroclube. A municipalidade necessita de uma área industrial, e ela estaria muito bem localizada naquela área. Mas a lei precisa ser obedecida e o diálogo mantido.

Hans Horner, representante do Aeroclube de Passo Fundo, falou sobre a importância de um aeródromo para uma comunidade. Apontou que mesmo tendo departamentos recreativos, o local é uma escola e possui relevante importância econômica e social. “Novo Hamburgo, preserve esse patrimônio”, pediu.

O presidente da Fundação Semear e representante da Associação Comercial e Industrial (ACI), Edgar Fedrizzi, contou que aprendeu a voar no Aeroclube de Novo Hamburgo. ” Estamos em uma encruzilhada.E há outros assuntos que também precisam ser debatidos, como o asfaltamento da pista – uma questão antiga do aeródromo”, falou. “Não é difícil de conseguirmos financiamento para esse fim. Uma pista asfaltada pode trazer aviões, jatos e helicópteros para cá, já que Porto Alegre não suporta a capacidade e é muito caro. Também podemos ser uma alternativa de emergência”, alertou, ressaltando que a Prefeitura precisa investir mais em comunicação para esclarecer os fatos.

Jackson Muller, biólogo, também reclamou que falta uma comunicação objetiva por parte do Executivo. Disse que muitos administradores desconhecem a importância que o local tem para a economia e desenvolvimento de um Município. Citou ações pontuais onde houve a atuação imprescindível do aeródromo, como combate a incêndios na região, o episódio da mortandade de peixes do Rio dos Sinos e trabalhos investigativos. “Nos desfazer do aeroclube é ir na contramão do desenvolvimento econômico estadual e nacional. Temos de nos movimentar e exigir presença nesta decisão.”

Ernani Galvão, presidente da Comcidade, apontou que existe, sim, um projeto para a implantação do distrito industrial na área do aeroclube, mas lembrou que a área não serve para esse fim. “Temos de pensar no foco do problema. Queremos o distrito, mas tem de ser no aeródromo? Nenhuma assembleia popular discutiu até agora o distrito industrial. Quero convidar a população para criar um grupo e começar esse debate. Precisamos investir nesse modal, para ter aeródromos, pilotos e pistas de qualidade. Sou contra a saída do aeromóvel de Canudos.”

De acordo com o presidente da Federação dos Aeroclubes do RS, Nelson Riet, há diversas leis que controlam a implantação de um aeroclube. “Fechar é simples, mas abrir um é muito difícil, há uma série de padrões que devem ser adotados. Os que fecham dificilmente abrem”, informou. Ele disse que é preciso pensar bem antes de tomar qualquer atitude.

O presidente do Aeroclube de Eldorado do Sul, Wilson Schmidt, também foi convidado a participar do debate. Ele contou a história do Aeroclube de São Leopoldo, transferido para Eldorado em 2004. “O município perdeu uma instituição que completaria, hoje, 70 anos. Agora, lamentam o fato.”

Saulo Keller Severgnini aproveitou o momento para falar sobre os aspectos legais da transferência de um aeródromo. “Não se pode interromper as atividade para depois pensar em como implantar a pista.É um processo sério, demorado e nada fácil”. Informou que a Lei Municipal n° 04/83, que doa o terreno para o aeroclube, determina que a área não pode servir para outro fim, sob pena de retirada da cessão. Falou ainda sobre o que seria uma indenização justa para a saída do aeródromo de Canudos. “Estamos na contramão da história. Todo lugar tentando incrementar suas pistas para decolar economicamente, e nós querendo desapropriar o local. Poderiam buscar outras alternativas de zonas industriais, que seriam bem mais propícias. É lamentável.”

Jeferson Schneider, instrutor de voo do Aeroclube de NH, contou a história de sua vida e como o lugar foi importante para a sua formação. “Ele não é elitizado”, apontou. Feijó citou o exemplo de outros meninos que seguiram o mesmo caminho de Jeferson. “Histórias como essa quebram o paradigmas que o aeromóvel é somente para ricos.”

O que diz a Prefeitura
O secretário de Desenvolvimento Urbano, Moisés Medeiros, representou o Executivo no debate. Ele disse reconhecer o papel do aeroclube no desenvolvimento de NH. Mencionou o plano diretor, que desde 1963 mostra essa região de Canudos como zona industrial. Falou de áreas, como os arredores da BR-116 e o bairro Boa Saúde, como alternativas para a instalação do Distrito, mas reafirmou a ideia de que Canudos é mais adequado. Ele ressaltou a importância de a comunidade estar presente nesta discussão. “Precisamos encontrar uma solução, porque nossa cidade precisa crescer”, disse. O secretário contou que há poucos dias recebeu a visita de um grupo coreano que procurava áreas para investir em NH. “Precisamos diversificar. Temos de buscar novas tecnologias”, apontou. Ele garantiu que não há nada totalmente definido. Somente indicações do PDEL – Plano de Desenvolvimento Local para que o distrito seja concretizado na área que hoje é o Aeroclube de Novo Hamburgo. “É um desafio não só para o Prefeito, por isso precisamos encontrar uma solução que todos possam ganhar.”

É preciso planejamento
O presidente do Legislativo, Leonardo Hoff, informou que a principal preocupação é que a Prefeitura indenize a direção do aeródromo pela retomada da área. Por todo potencial econômico e por ser referência regional, advertiu Hoff, não se pode mudar a localização do aeródromo sem um planejamento de onde o realocar. “Estamos aqui para buscar explicações, enquanto parceiro do Executivo e representante da sociedade. O governo sinalizou que o distrito será lá. Precisamos saber se isso é verdade e se pretendem retomar a área sem indenização.”

O vereador Sergio Hanich também mostrou preocupação com a possibilidade de retomada da área sem indenização. “Eu quero um Distrito Industrial para Novo Hamburgo, mas isso será um processo longo e com muita discussão. Precisamos saber o que quer a administração municipal.”

A comunidade também se pronunciou no debate. Paulo Bonreto lembrou que o Distrito Industrial, caso seja lá, pode não dar certo justamente pelo fato de nã o ter mais uma pista no local. Paulo Ozindzk também defendeu o aeroclube, e falou da possibilidade de instalação de uma fábrica de aviões em NH.

Gládis Killing, representando a Associação de Indústria e Comércio de NH, afirmou que é a favor do Distrito Industrial. Conforme ela, a área de Canudos, porém, é imprópria. “Precisamos fazer estudos sobre impactos na vizinhança, cargas tóxicas, transporte de cargas. A área não é unanimidade, e a ACI sempre foi contrária.” Ela frisou que a discussão está apenas começando e que é preciso ouvir os empresários.

Feijó encerrou o debate acrescentando que o diálogo avançou bastante após a reunião. “Estamos bem localizados ali em Canudos, valorizamos a área, mas não somos contra sair do local. Precisamos ter garantias, porém, de que conseguiremos sobreviver em outro local”, falou, informando que só saem do local com a devida indenização.

Fonte: http://www.camaranh.rs.gov.br/Noticias.asp?IdNoticia=4944

Leonardo Hoff presidiu sessão

Comments

  1. JENOILDO FRAGATTA disse:

    BLZA…muito bom, estava mal falado este assunto até ouví a RÁDIO abc hoje.fragatta

  2. Flávio Jesus disse:

    Sobre o aeroclube, lembro-me que a anos atrás, o então prefeito Ayrton dos Santos vislumbrou a idéia de fazer um aeroporto em NH que abrigaria empresas de táxi aéreo e seria uma alternativa ao Salgado Filho. Houveram críticas, piadas e a idéia não vingou. Anos mais tarde, de fato o Salgado Filho precisa de um aeroporto que lhe complemente, pois o mesmo atingiu o seu limite em termos de ampliações. Portão apresentou um projeto, parece que está indo bem e poderá em alguns anos ter um aeroporto maior e mais moderno que o SF.
    Acompanho diariamente notícias da aviação que anuncia crescimento acelerado da aviação no mundo e sobretudo nos países emergentes nos próximos 10 anos. O mercado brasileiro apresenta o segundo maior crescimento do mundo, atrás somente da China.
    Também fiquei surpreso com os índices de crescimento e com a quantidade de pilotos que uma empresa aérea necessita para operar (Só a GOL emprega quase 3.000 pilotos). Pelo exposto, acho que o aeroclube de NH deveria receber estímulos para “acordar”. Existe um mercado gigante para a instrução de pilotos e que não para de crescer, bem como a necessidade de mais vôos regionais. Tenho certeza que se fosse feito um aeroporto com pista pavimentada e capaz de receber aeronaves maiores que as atuais em Novo Hamburgo, muitas empresas regionais e de táxi aéreo teriam interesse em operar à partir de NH, reconhecida nacionalmente.
    Junto com os aviões maiores viriam empregos, tecnologia de ponta, destaque regional, empresas de manutenção de aeronaves e outras tantas possibilidades. Acho que está na hora de acordar para esta possibilidade e não somente substituir o atual aeroclube por uma zona industrial. Acho sim que as duas coisas são importantes e por isso um novo aeroclube deveria operar dentro de um novo aeroporto, em vez de simplesmente ser despachado para o novo aeroporto de portão, que é o que vai acabar acontecendo se ninguém fizer nada. Não é somente a questão de pólo ou não pólo, de mudar ou não o aeroclube, mas Novo Hamburgo precisa mais, quer mais e pode mais! Saudações hamburguenses.

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