Debate sobre obesidade deu início a Semana da Câmara

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out 25, 2011 No Comments ›› Guilherme Darros

Dos 239 mil habitantes de Novo Hamburgo, estima-se que cerca de 28 mil sejam obesos (Índice de Massa Corporal* superior a 30). Os dados do Censo 2010, do IBGE, associados aos percentuais de obesidade do Rio Grande do Sul, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, foram calculados e divulgados pelo médico e cirurgião Carlos Frota Dillenburg, doutor em Medicina pela UFRGS, nesta segunda-feira, dia 24, durante o 2° Câmara Debate. A atividade, promovida pela Comissão de Saúde, integrada por Raul Cassel (presidente), Jesus Maciel e Gerson Peteffi, abriu a Semana da Câmara, que ocorre até o dia 27 de outubro. Além do problema do sobrepeso, foram discutidos os temas anorexia nervosa, bulimia e vigorexia pela psicanalista e professora da Feevale, Kátya Azevedo de Araújo.

Na abertura, Raul Cassel, um dos idealizadores do evento, afirmou que essa era uma oportunidade ímpar da população se informar sobre doenças que têm atingido um nú mero expressivo de pacientes. Nas Região Sul e Região Centro-Oeste do país, 5% dos habitantes apresentam obesidade mórbida, maiores índice do Brasil. Com base no percentual do Rio Grande do Sul, estado com o maior número de obesos, seguido pelo Rio de Janeiro, Carlos Dillenburg calcula que que haja 7 mil pessoas em Novo Hamburgo com obesidade mórbida, que caracteriza-se por IMC 40. Dillenburg ressaltou que a obesidade é uma doença crônica, associada a uma série de outros problemas de saúde (comorbidades), tais como diabetes 2, hipercolesterolemia e esteatose hepática (conhecida como fígado gordo). Ele declarou que está em curso uma epidemia da obesidade. Desde 1980, segundo dados apresentados, o número mais que dobrou, atingindo 23% da população mundial (1,5 bilhão de adultos em 2008).

No Brasil, conforme Dillenburg, são realizadas cerca de 120 cirurgias bariá tricas por dia. Ele afirmou que a medicação, utilizada sozinha, é o recurso que menos eficiente dentre os tratamentos clínicos. Sobre os tipos de procedimentos cirúrgicos realizados, Dillenburg mencionou a colocação do balão intragástrico, do anel na entrada do estômago, a redução ou grampeamento do estômago, a operação duodenal e a gastrectomia, retirada vertical do estômago (que fica com capacidade de 100 ml).

“São milhares de reais que são gastos no tratamento da obesidade”, respondeu ao ser indagado pelo presidente da Câmara, Leonardo Hoff, sobre os impactos da doença no país. As enfermidades associadas, de acordo com o médico, provocam alto índice de internação, ocasionam faltas ao trabalho e podem resultar em aposentadorias antecipadas. “Em 20 anos, projeta-se que será impagável o custo da obesidade e das comorbidades”, sentenciou Dillenburg.

Em sua exposição, a psicanalista e professora da Feevale, Kátya Azevedo de Araújo, lembrou que a ansiedade costuma ser o motor propulsor dos transtornos alimentares. Segundo dados trazidos pela palestrante, a maior incidência tanto de bulimia quanto de anorexia nervosa ocorre em mulheres no período da adolescência. “Não há uma elaboração psíquica, o indivíduo come para saciar sua ansiedade, não a fome”, afirmou. Entre as conseqüências, estão carências hormonais, amenorréia em mulheres (interrupção da menstruação) e consumo de massa muscular. Em graus avançados, a anorexia nervosa, conforme relato da professora, ocasiona até a morte do paciente. O maior entrave para o tratamento é o enfermo não perceber que sofre do problema, pois não enxerga diante do espelho que está muito abaixo do peso ideal.

Sobre a diferença entre anorexia e bulimia, a palestrante esclareceu que, no segundo caso, a pessoa consome um número elevadíssimo de calorias (até 6 mil) em um curto espaço de tempo, induzindo o vômito em seguida. Normalmente, segundo a psicóloga, o indivíduo com a enfermidade come compulsivamente escondido dos familiares e amigos. As doenças estão associadas à depressão e tentativas de suicídio. Já a vigorexia caracteriza-se por uma preocupação extrema com a forma física. A professora explicou que essa transtorno atinge em sua maioria homens jovens, que fazem exercício físico em demasia. Para Kátya, essas doenças estão relacionadas com o culto excessivo da aparência na sociedade atual.

Fonte: http://www.camaranh.rs.gov.br/Noticias.asp?IdNoticia=5189

Hoff acompanhou o debate

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